Stan Getz, de seu nome Stanley Gayetsky (Filadélfia, 2 de fevereiro de 1927 — Malibu, Califórnia, 6 de junho de 1991) foi um saxofonistanorte-americano de jazz. Fez parcerias com João Gilberto e Antonio Carlos Jobim, tornando-se um dos principais responsáveis em difundir o movimento musical brasileiro conhecido como bossa nova pelo mundo.
Anos 50 e 60
Nos anos 50,
Stan Getz tornou-se famoso como interprete do cool jazz, tocando com Horace
Silver, Johnny Smith, Oscar Peterson entre outros. Os seus dois primeiros
quintetos incluíam nomes famosos como o baterista de Charlie Parker, Roy
Haynes, o pianista Al Haig e o contrabaixista Tommy Potter. Em 1958, Getz muda-se
para Copenhaga, com o objetivo de deixar o seu consumo de drogas.
No regresso
aos EUA, em 1961, Getz torna-se uma das principais figuras da bossa nova. Junto
com Charlie Byrd, que tinha regressado de uma turnê no Brasil, Getz grava Jazz
Samba, em 1962, que se torna um sucesso. A faixa principal era uma adaptação de
"Samba De Uma Nota Só", de Antonio Carlos Jobim. Stan Getz ganha
oGrammy para a Melhor Interpretação de Jazz, em 1963, com
"Desafinado".
Grava com
Tom Jobim, João Gilberto, e sua esposa, Astrud Gilberto. A sua interpretação de
"Garota de Ipanema", dá-lhe mais um Grammy. Esta música tornou-se uma
das canções mais conhecidas do jazz latino, de todos os tempos. Getz e
Gilberto, ganharam dois Grammy (Melhor Álbum e Melhor Single), superando os The
Beatles, em A Hard Day's Night. Em
1967, Getz grava com Chic Corea e Stanley Clarke.
Anos 70 e 80
No início dos anos 70, Stan Getz é influenciado pelo jazz de
fusão e "jazz elétrico", utilizando um Echoplex no seu saxofone. Os
críticos não gostaram da nova experiência, o que levou Getz a desistir desta
sonoridade, regressando ao jazz mais tradicional e acústico. A partir dos anos
80, gradualmente, Getz deixa a bossa nova, e opta por um estilo de jazz menos
tradicional, mais esotérico.
Figura emblemática como poucas na história da Música Popular Brasileira, João Gilberto transformou a maneira de cantar e tocar violão no Brasil. Adorado por muitos, considerado gênio, desprezado por alguns, considerado louco, é muito difícil ser indiferente a João Gilberto.
Nascido em Juazeiro (BA), João ganhou um violão aos 14 anos de idade, e nunca mais largou. Nos anos 40, ouvia música na loja de discos, desde Duke Ellington e Tommy Dorsey até Anjos do Inferno, Dorival Caymmi e Dalva de Oliveira. Aos 18 anos foi para Salvador tentar a sorte como cantor de rádio e crooner. Logo depois seguiu para o Rio de Janeiro, onde atuou no conjunto vocal Garotos da Lua. A carreira no grupo durou menos de um ano. Cansados de seu comportamento pouco profissional (atrasos, faltas constantes), os Garotos da Lua demitiram João Gilberto. Vivendo durante a noite, conheceu outros músicos e teve composições gravadas.
Em 1958 gravou, pela Odeon, dois compactos que lançaram seu estilo e inauguraram o movimento bossa nova: "Chega de Saudade"/"Bim Bom" em julho, e "Desafinado"/"Oba-la-lá" em novembro. No mesmo ano, tinha acompanhado Elizeth Cardoso em duas faixas do LP "Canção do Amor Demais" ("Chega de Saudade" (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) e "Outra Vez" (Tom)), considerado outro marco inaugural na história da bossa nova.
As características que mais o notabilizaram foram a maneira de cantar baixinho, saindo radicalmente da tradição dos grandes cantores do rádio, famosos por seus "vozeirões", e a forma de tocar violão, adotando uma batida diferente que desloca o acento da tradicional batida de samba. São famosas suas interpretações de "Aos Pés da Cruz" (Zé da Zilda/ Marino Pinto), "Samba de uma Nota Só" (Tom Jobim/ Newton Mendonça), "O Barquinho" (Menescal/ Bôscoli), "Samba da Minha Terra" e "Saudade da Bahia" (Dorival Caymmi), "Na Baixa do Sapateiro" (Ary Barroso), "Falsa Baiana" (Geraldo Pereira), "Isaura" (Herivelto Martins/ Roberto Roberti), todas recriações que se notabilizam por seu estilo único de interpretar.
Desde cedo João Gilberto se fez notar por seus hábitos considerados exóticos ou fora do comum. Passou vários anos no Rio sem ter uma casa própria, morando sempre "de favor" na casa de amigos, raramente dividindo despesas, dormindo durante todo o dia e tocando violão a noite inteira, mesmo que os donos da casa tivessem que acordar cedo para trabalhar. Além disso, mesmo quando a situação financeira era penosa, recusava-se a fazer gravações comerciais como jingles ou cantar em lugares onde as pessoas falassem durante a apresentação. E também nunca parece ter pensado na possibilidade de arranjar um emprego que não fosse relacionado a música.
Depois de famoso, mostrou-se totalmente avesso a entrevistas e simplesmente não apareceu em alguns shows marcados. É notória sua obsessão com a perfeição técnica em suas gravações e apresentações, desde o compacto de "Chega de Saudade", que levou dias para ser gravado graças às interrupções freqüentes de João, sempre insatisfeito com ruídos ou erros que só ele ouvia.
Em 1964, gravou nos Estados Unidos com o saxofonista Stan Getz, Tom Jobim e mais a mulher Astrud Gilberto. O disco vendeu mais de um milhão de cópias, puxado pela faixa "Garota da Ipanema", que a partir daí se tornaria uma das músicas mais executadas e regravadas do planeta. Ganhou vários prêmios Grammy, inclusive o de Álbum do Ano.
João Gilberto viveu nos Estados Unidos de 1962 a 1980, passando dois anos no México. Tornou-se cunhado de Chico Buarque ao casar-se com a cantora Miúcha, com quem tem uma filha, Bebel, também cantora, que vive em Nova York. Durante o período norte-americano, gravou mais de dez discos, participando de várias gravações de outros músicos.
De volta ao Brasil, lançou alguns discos, com músicas inéditas e principalmente releituras de outros compositores e até de suas próprias composições. Faz shows esporadicamente e excursiona com freqüência para o Japão, Ásia e Américas.
Lançou em 1999 o CD "João Voz e Violão", produzido por Caetano Veloso, que despertou reações opostas na crítica. No repertório, dez faixas e grandes sucessos, como "Desafinado" (Tom Jobim/ Newton Mendonça), "Eu Vim da Bahia" (Gilberto Gil), "Desde que o Samba É Samba" (Caetano Veloso) e "Chega de Saudade".
Em 2004, João Gilberto comemorou o aniversário de 40 anos do disco Getz/Gilberto, um dos trabalhos mais importantes de sua carreira, que recebeu o Grammy de 1964. Para celebrar a data, a gravadora Universal Music lançou álbum “In Tokyo”. Trata-se de um registro do segundo concerto do cantor no Tokyo International Forum, gravado durante uma turnê pelo Japão, em 2003.